terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Reflexões sobre feedback.




Olá caros leitores e leituras.

Retorno novamente estabelecendo uma parceria entre este blog e o curso de formação de tutores UAB/UnB nível 2.

O tema principal desta postagem é o  “o papel do feedback no processo de aprendizagem on-line”. Para isso terei como base o texto O Desafio de uma Interação de Qualidade na Educação a Distância: O Tutor e sua Importância Nesse Processo, de Daniel Mill, Denise Abreu-E-Lima, Valéria Sperduti Lima, Regina Maria Simões Puccinelli Tancredi e dialogarei com o vídeo A voz do outro : depoimento de alunos UAB/UnB, disponível na plataforma.

O feedback é muito importante, e contribui muito para o ensino aprendizagem. Os autores teorizam muito bem sobre questões que também percebi na prática. Quando você primeiro mostra os pontos positivos da postagem ou atividade do discente, ele recebe melhor as orientações posteriores sobre que ele precisa melhorar.  Também mencionam a importância de uma boa comunicação para que não ocorram situações mal compreendidas. Entre os desafios de um bom feedback está essa questão da clareza, e a boa comunicação que deve ser estabelecida para que os estudantes compreendam o que precisa ser melhorado.
Aproveito para destacar uma questão que considero muito importante, é em relação ao tempo do feedback:


Kerkra e Wonacott (2000) argumentam que o feedback precisa atender a um tempo específico, pois ele só será útil se for recebido antes de ser executada a próxima atividade. Além disso, advertem que os alunos compreenderão o feedback dos tutores de forma mais eficaz quando são orientados antes de executar o exercício, explicitando seus objetivos e a importância de se realizar tal atividade, e quando o feedback é dado de forma consistente. (...)Os autores enfatizam que além dessas questões, deve-se prestar muita atenção na avaliação que deve ter seus critérios amplamente discutidos antes que o exercício seja realizado.” (p.122).

Essa citação é um pouco extensa, mas representa e resumi muito bem a questão de como um feedback no tempo adequado auxilia na aprendizagem.  

Essa questão também é discutida pelos estudantes do vídeo. Elas mencionam que o prazo da plataforma é sete dias para o retorno das tarefas, contudo alguns tutores não retornam dentro deste prazo. A estudante é até compreensiva dizendo que compreende que o tutor tem outros trabalhos, mas ressalta como isso cria expectativa e frustação de não ter o retorno das atividades. No mesmo vídeo ainda discutem sobre a importância de uma boa comunicação e da postura dos tutores de retirarem as dúvidas e ressaltam as possibilidades existentes também de esclarecimentos, como por exemplo as ferramentas Skype e Hangout (Gmail) que podem ajudar a superar os desentendimentos que surgem na escrita.

Isso retoma ao que estudamos anteriormente e Mill  e os outros autores abordam que interatividade de qualidade é indispensável “no processo de ensino-aprendizagem da educação a distância (EaD)” (Mill et al,  p. 112).

 E aproveito para destacar que o feedback está diretamente relacionado com  os critérios de avalição. Pois, esses critérios são a base que apoiam os retornos dos tutores e auxiliam os estudantes a compreenderem qual melhor caminho seguir durante o curso e o que é exigido. Diante disso, Mill e os outros autores ressaltam diferentes desafios, competências e caminhos para a atividade do tutor que é fundamental no processo da EAD.

Referência:
MILL, Daniel. et al. O Desafio de uma Interação de Qualidade na Educação a Distância: O Tutor e sua Importância Nesse Processo. Cadernos da Pedagogia Ano 02 Volume 02 Número 04 agosto/dezembro 2008.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Reflexões sobre blog e googledocs.




Caros leitores, apresento aqui um texto vinculado ao Curso de Formação de Tutores 2013- UAB/UnB. Neste texto será discutido questões sobre a interação/interatividade e a relação possíveis das tecnológicas da informação e da comunicação no ambiente de ensino aprendizagem.
No texto “Interação e Interatividade Na Educação a Distância” de Capelari e Barros é mencionado como a interação e a interatividade estão relacionadas e “ Não há consenso, entretanto, sobre a existência ou não de diferenças semânticas e técnicas entre os termos intera[ção], intera[tivo] e intera[tividade]” (2008, p.40). De modo geral no texto se conclui que a interatividade possibilita ampliar os meio de interação com as novas tecnologias da informação e da comunicação. Imerso nesse contexto temos os diversos meios que permitem essas relações. Entre eles destacarei o blog e o googledocs.
O  primeiro devido a relação que ele está exercendo nesta atividade, e o segundo retoma o e dialoga com o que foi realizado na atividade passada do curso de tutores.
Publico este texto aqui, uma vez que identifiquei como o que foi registrado aqui dialoga com as discussões dos temas do curso de tutores. Inicialmente estre blog foi criado para registrar o processo de criação do trabalho a ser apresentado na disciplina. Ofertada pelo curso presencial de Mestrado em Artes na Universidade de Brasília/ UnB. Isso já é um exemplo prático de como o blog se associa com o ensino aprendizagem. Neste caso me possibilitou  tanto um meio de interação diferenciado, pois os colegas que acompanhavam a disciplina podiam visualizar meu percurso, como também pude compartilhar com outras pessoas que não estavam na turma. E tive ainda um registro do meu trabalho realizado, criando material para meu acervo pessoal como também um meio de divulgação. Consta nas informações que o blog teve mais de 150 visualizações. Pensando na perpectiva global são poucos acessos, mas considerando que sem o blog, quem teria conhecimento desse trabalho seriam apenas os 15 alunos da disciplina e os 2 professores.
Deste modo, observo que o blog realmente atinge as perspectivas oferecer visibilidade ao trabalho, além das outras vantagens que Teresa Almeida d’Eça menciona no texto “O blog educativo” (S/d, p.01). No caso específico relatado por essa autora o destaque é para uma abordagem de ensino aprendizagem de língua estrangeira, mas não se restringe somente nesta linha.
Outros autores que discutem sobre o uso do blog são Abreu; Moraes; Teles; Lazarte e Ramos no texto “To Blog or Not To Blog”. Eles ressaltam que qualquer meio de interação possui suas vantagens, e o objetivo da pesquisa é justamente “descrever um projeto em andamento sobre a aprendizagem de blog educativo aplicado a cursos de graduação a distância” (2007, p. 02). A descrição do trabalho realizado é muito similar ao que estamos vivenciado agora no curso. Cada discente deve criar seu blog, e  publicar um texto e iremos discutir sobre esses materiais produzidos. Como os autores abordam:
Isso, na compreensão do conhecimento como construção coletiva e como bem público inscrito em uma visão de que o saber produzido por cada um e por todos, colaborativamente, possa contribuir para o avanço social e busca de solução dos problemas de nossa realidade. (Abreu 2006 apud; Abreu, at. all 2007)

Aqui também observo mais um ponto de convergência entre esse blog que tenho e a proposta da atividade do curso de tutores. Assim como iremos visualizar o blog dos colegas, durante essa disciplina em 2011 também visualizarmos os blogs dos colegas, e tínhamos um blog de orientação, onde eram registradas as aulas e repassados os encaminhamentos. Comparo assim, que tanto nas aulas presenciais podíamos compartilhar nossas dificuldades e nos ajudarmos como no acompanhamento do blog dos colegas.
Considerando esse processo no ensino aprendizagem a troca de conhecimentos é muito importante. Não seguimos mais um modelo repassado sem questionamentos, buscamos construir o conhecimento. Nessa direção aproveito para relacionar com a experiência vivenciada com o googledocs.
Antes do curso de tutores já tinha conhecimentos dessa ferramenta mas nunca tinha conseguido utilizar. Tanto por não conhecer suas possibilidades, como também por ser mais familiarizada com o Skype e msn, nunca tinha tido necessidade de investigar o que poderia ser feito no googledocs. Com a oportunidade que surgiu observei como eu estava acomodada. Pois, mesmo com as tendo conhecimento dessa possibilidade eu não tinha motivação para investigar ou usufruir do que uma nova ferramenta poderia oferecer. Com essa proposta do curso refleti como realmente é um desafio acompanhar  as inovações e aproveitar favoravelmente de tudo que as tecnologias oferecem.
Na atividade que realizamos em grupo com essa ferramenta, observei que todos os integrantes poderiam modificar e participar em todas as partes do trabalho, realmente foi uma tarefa que se realizou com a colaboração de todos. Nisso refleti sobre os aspectos da interação/interatividade. Pois, além de nos relacionarmos no fórum, na plataforma por mensagens, tínhamos também esse outra ambiente que criamos, desenvolvemos e concluímos o projeto em parceria.
Procurando conhecer um pouco mais das relações do googledocs com as questões de ensino aprendizagem encontrei no “google acadêmico” um artigo muito interessante: “Aprendizagem Colaborativa E Interatividade Na Web: Experiências  Com O Google Docs No Ensino De Graduação”, de Serafim, Pimentel e Ó. Os autores pesquisaram a ferramenta  googledocs tanto no ambiente presencial como on-line. Muito bom também observar que eles discutem as questões da interação e da interatividade com base nos mesmos autores que estudamos no nosso curso. E os resultados obtidos na pesquisa mostram como essa ferramenta auxilia em diversas perspectivas nas construções de trabalhos colaborativos.
Assim, pretendo agora investigar mais como usar essa ferramenta tanto nos meus trabalhos como também aproveitar para repassar para os estudantes que eu tiver contato mais essa possibilidade de interação no ensino aprendizagem.

Abraços,
Angélica.


Referências:

ABREU, Maria Rosa Ravelli; LAZARTE, Leonardo; MORAES, Raquel; TELES, Lúcio; RAMOS, Wilsa. To Blog or Not To Blog. 2007

BARROS, Daniela Melaré Vieira; CAPELARI, Rosemary de Oliveira. “Interação e Interatividade Na Educação a Distância”. Revista SER: Saber, Educação e Reflexão, Agudos/SP.  ISSN 1983-2591 - v.1, n.2, Jul. - Dez./ 2008

D’EÇA, Teresa Almeida. O blog educativo. S/D. http://www.malhatlantica.pt/teresadeca/papers/setubal2004/blogsecall1.htm

SERAFIM, Maria Lúcia; PIMENTEL, Fernando Sílvio Cavalcante; Ó, Ana Paula de Sousa do. Aprendizagem Colaborativa E Interatividade Na Web: Experiências  Com O Google Docs No Ensino De Graduação.2008.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Finalização 2

Segue o trabalho escrito final:



Apresentação

O presente texto pretende refletir sobre o projeto artístico “O Gosto de Platão” um vídeo instalação apresentado no 530 Cometa Cenas. Essa obra surgiu inspirado em “O Banquete” de Platão e pretendia repassar ao público uma visão particular da experiência e do contato com esse material.
O trabalho consiste em um vídeo de cinco minutos que expande a visão e reflexão a cerca principalmente dos temas da sedução e da comida. Sendo abordados em uma perspectiva provocativa em  contra ponto ao modo como esses temas são tratados por Platão no livro supracitado, e segundo uma perspectiva pessoal da artista em relação ao contato com o texto.
Sucintamente a narrativa do livro aborda uma reunião na casa de Ágaton, que está comemorando a sua primeira vitória no festival grego com uma Tragédia. Para o evento são convidados: Aristodemo, Sócrates, Fedro, Pausânias, Erixímaco, Aristófanes e Alcebíades. Em meio a comemoração tanto a comida, como a flautista são excluídas. Os presentes começam então a fazer exposições sobre o que cada um considera sobre Eros, o amor.
 No percurso da disciplina Tópicos Especiais em Artes Cênicas foram realizados estudos e reflexões sobre o texto e o autor. Como também das provocações e discussões realizadas com a turma e com o professores durante as aulas. A reflexão teórica a que me proponho irá apresentar a discussão conceptual e a discussão da realização e produção.
O primeiro apresentará e refletirá brevemente sobre os estudos realizados sobre o texto que Platão que levaram aos motes que embasaram o projeto. Será composta de explicações mais relacionadas as ideias que se associam ao que foi realizado. Além de outras referências teóricas que acompanharam e se agregam aos meios utilizados no desenvolver do trabalho. Na sequência almejo explicitar os percurso da realização do vídeo instalação. Discorrerei sobre as etapas que envolveram o processo, com seus desafios e conquistas.
No final serão levantadas as conclusões sobre essa experiência realizada. Nesse momento são apresentas as ponderações acerca do trabalho teórico e prático realizado.




Discussão conceptual


Inicialmente foi realizado a leitura de O Banquete em duas edições. Uma com a tradução de D. Schuller da editora LP&M, e a edição com tradução de Maria Tereza Nunes Schiappa de Azevedo, Edições 70.
Iniciei com a leitura da primeira edição, que adiante também foi a versão utilizada nas cenas do vídeo. Neste livro a estrutura textual é interrompida, o tradutor aproxima-se do neologismo, contudo a escrita aproxima-se mais da fala. O contato com segunda obra foi mais utilizado no trabalho considerando que a introdução e as notas contribuíram para a reflexão e embasamento teórico do projeto. A segunda tradução é no idioma de Português de Portugal. O texto está organizado de modo mais literário, menos falado, e possui mais fluxo de leitura que o anterior.
A tradutora e pesquisadora M.T.N. Schiappa de Azevedo na apresentação do livro discute sobre a questão do “Symposion”. Segundo duas definições os Atenienses consideravam um “Symposion” composto por duas partes, a primeira com o jantar, definição mais próxima da compreensão do significado de banquete que mais nos remetemos. O segundo momento seria a bebida, que consistiria mais próximo do simpósio, em que os convidados iriam beber e escolher um tema para realizarem exposições a respeito. Por fim, ressalta que a tradução do título da obra de Platão como “O Banquete” deixa de valorizar a forte relação que o evento possuía com a literatura. A autora observa ainda que outros elementos próprios do “Symposion” são excluídos por Platão, como o costume dos anfitriões oferecem entretenimento com artistas. Em “O Banquete” a flautista é dispensada logo após o jantar.
Essa questão também é discutida por Gabriele Conelli no texto Porque Sócrates Não Ficava Bêbado? Bêbadafilosofia No Simpósio De Platão, ele explica que Platão considerava dois tipos de simpósios. Um do mal educados, em que era permitido a comida, dançarinas e flautistas, enquanto no dos bem educados existia apenas bebida e a fala bem ordenada. O texto é desenvolvido com foco em Sócrates e a sua relação com o vinho e cm a embriaguez. Esse texto também é relevante para os estudos por apresentar considerações importantes sobre o vinho que serão pilares para a utilização desse elemento no trabalho. Conelli elabora três relações principais de da divindade Dionísio com o vinho, primeiro a relação com o nome, que ele também é chamado de “Bacchos e de Thýrsos (“bebida embriagante”, nome de um antigo deus ugarita)”, o segundo em relação a exposição de Sócrates, no diálogo de Crátilo de Platão, que:
‘Assim Diónysos seria o mesmo que o didoús tón oínon, isto é “aquele que doa o vinho”, e por isso podemos chamá-lo, jocosamente, de Didóiniso. E o oínos, o vinho, por ele fazer oíesthai (crer) de ter noûs (inteligência) àqueles que bebem, pois sentem-se mais sabedores, seria melhor chamá-lo, o vinho, de oiónous (“que faz crer de ter inteligência’). (Cornelli. P. 02)

Além dessas definições, também é abordada a associação de Dionísio com o vinho pelo fato de entre as festividades dionisíacos, consideradas oficiais, existiam uma era direcionada para saborear o vinho. O vinho também possui suas ambiguidades, sendo exposto no texto como aquele que o bebem adquirem a “inteligência”, mas também como bebida que estimulas os instintos mais ocultos do ser.
Essas questões foram de estrema importância para o trabalho desenvolvido, sendo que foi considerado justamente os paradoxos existente entre a proposta de um banquete- no sentido mais próximo de jantar- enquanto no texto o jantar é a parte anterior e não é abordada na obra. Como também em relação ao diálogo sobre o amor, em que os presentem falam do sentimento, porém ele é exposto como tema de estudo, e sua presença é pouco identificada. A força do vinho, também presente com a simbologia da sabedoria, foi utilizado como elemento que relacionava com a performance do vídeo. Era utilizado no momento de cozinhar o livro como também, em taças cheias de vinho ao lado da exibição do filme.
Assim o vídeo explora a contradição do nome banquete com a ausência de alimento, como também se discutir sobre o amor, porém de forma distanciada, mais próximo de busca de comprovações filosóficas do que a vivência. Além da própria reação da artista em contato com essa obra. Enquanto o trabalho se desenvolvia surgiu o impulso de unir a comida ao livros, de modo a transformar o próprio material texto, com seus longos discursos e falas filosóficas em comida. Para realizar isso o vinho fundamental. Na reação com esse processo, tentei ir adiante, e comer esse livro, como se pudesse adquirir a sabedoria por esse alimento, como se poderia adquirir por beber o vinho. Contudo, a reação que essa tentativa provocou foi a ânsia de vômito.
Retomando o processo de estudo textual, para compreender mais sobre a obra como um todo, M.T.N. Schiappa de Azevedo também apresenta uma perspectiva geral da estrutura do texto. Sendo o primeiro momento de apresentação dos personagens e situações gerais do contexto em que os personagens se encontram. Adiante seriam os discursos, em que os presentes estabelecem um tema e uma ordem e cada um explana a respeito. E no Epílogo o autor considera uma nova ordem estabelecida após os discursos. O ambiente é invadido por festeiro que passam pelo local e viram a porta aberta. Assim, segue outro ritmo, alguns vão embora, outros adormecem e o narrador esclarece que apenas Sócrates, Aristófanes e Ágaton estão acordados. Nesse momento final, Platão ainda aproveita para realizar suas considerações sobre a comédia e a tragédia pela fala de Sócrates. 

Mas, de uma maneira geral, Sócrates  insistia em fazer-lhes ver que o mesmo homem que sabe compor tragédias sabe também compor comédias, e que aquele que tem a arte do poeta trágico tem também a do poeta cómico. Eles cediam às suas insistências, já sem acompanharem bem as palavras dele, pois estavam tontos de sono.(Platão. Trad. M.T.N. Schiappa de Azevedo. 2000.p.99).

As notas esclarecem que nesse momento Platão estaria redimindo o comédia e a tragédia, que no Texto de “A República” ele condena, mas neste outros texto ele admite essa prática desde que utilizadas pela vertente filosófica. Segundo a pesquisadora neste momento Platão também se observa superior aos artistas, que segundo ele são capazes apenas de produzir a comédia e a tragédia, enquanto ele é capaz de articular os dois opostos em suas obras.(Mais sobre o assunto em: Platão. Trad. M.T.N. Schiappa de Azevedo. 2000.p.23).
Edson Zampronha no texto “Representação e Percussão no Banquete de Platão” observa a macro estrutura do texto referido considerando que existe uma equivalência entre os diálogos realizados. O autor apresenta que ocorreram seis exposições sobre o amor, e uma sobre Sócrates. Seguindo uma ordem progressiva de ascensão aos graus de contemplação do belo. Os três primeiros  Fedro, Pausânia e Erixímaco, abordam  as “aparências” e “as virtudes do amor” (p. 102). Sendo que, os outros três para o autor são: Aristófanes, Ágaton, Sócrates e Diotinia, e em seus discursos abordam “o ser e sua natureza” (p. 102). Destacando que na fala de Sócrates ocorre a junção dos opostos pois Sócrates com sua voz de homem cita a Diotinia. E o último diálogo para Zampronha corresponde ao grau do “belo em si”, e não tem como mostra-lo, ou é visto ou terá que ser representado e isso proporcionará um acesso imperfeito. Então o último diálogo de Alcebíades seria a descrição do que ele viu de belo, no caso Socrátes. Complementa ainda como cada um faz sua exposição sobre as suas considerações considerando uma ordem, em constante progressão. Nesse contexto podemos observar como mesmo todos tendo exposições próprias a obra segue com apenas um grande narrados que é Platão.
Recorrendo a outra questão importante de estudo do texto que reforça os paradoxos, Gabriele Cornelli observa no texto: “A culpa de Alcebíades: o Banquete de Platão como apologia de Sócrates”, que logo no prólogo Platão discute a veracidade e fontes sobre a história que será contada. Apresenta um percurso confuso sobre a origem e veracidade dos fatos a serem narrados. Apolodoro, que irá narrar o acontecido, e comenta que no dia anterior um conhecido veio lhe procurar para saber da história do acontecido na casa de Ágaton, com Sócrates e os outros presentes. Porém, esse conhecido já anuncia que conheceu essa história pela narrativa de Felix filho de Felipe. Mas, que Apolodoro seria mais indicado para contar a história.  Na sequência já questiona se ele presenciou o fato. Adiante Apolodoro esclarece que não participou pois ainda era criança como aconteceu a comemoração na casa de Ágaton. O emaranhado do texto ao mesmo tempo reforçam e enfraquecem a o teor verídico das informações. Apolodoro afirma que ouviu a história  de Aristodemo, a mesma pessoal que contou para Felix. Isso seria um ponto que reforçaria a veracidade juntamente com o fato que Apolodoro perguntou A Sócrates sobre o acontecido e teria tido a confirmação dele que estava presente.
Ele analisa como esse padrão se repete nos diálogos de Platão nas obras Banquete, República, Parmênides ou Teeteto.
Nesse momento em que ocorre a confirmação de Sócrates, Cornelli questiona se essa confirmação final teria alguma importância, pois essas informações estariam dependentes do que o narrador Apolodoro iria se recordar no momento, pois  é uma transmissão oral do que aconteceu sem registros. Essa discussão entre o real e a ficção também se faz presente no vídeo, considerando que existem partes gravadas na rua, e outras partes realizadas em estúdio.
Na continuidade sobre os aspectos de oposição de Platão, Cornelli também observa como Platão procura falar si, considerando o “filósofo como o poeta maior”(p. 06) uma vez que ele escreve tanto no estilo da comédia como da tragédia, como observado anteriormente também nos estudos de M.T.N Schiappa de Azevedo. No texto de o Banquete podemos observar que o autor os aspectos da tragédia são retomados com os mitos abordados. Enquanto a comédia é vista pelo uso de personalidades conhecidas no cotidiano da época, por retratar a época e costumes vigentes. Esses e outros aspectos da comédia podem ser vistos em estudos como o de Maria de Fátima de Sousa e Silva, na tese de doutorado Crítica literária na comédia grega : género dramático e no artigo A mulher na comédia antiga: A Lisístrata da Aristófanes, de Margarida Maria de Carvalho.
Como no texto Platão permeia entre a verdade e ficção, adiante na parte de videoarte do trabalho artístico realizado são apresentadas imagens entre as que foram coletadas nas saídas de campo com  imagens de estúdios. Além dos outros aspectos de dicotomias ressaltados anteriormente.
O processo artístico passou pelas complicações de definição de qual seria arte mais relacionada e presente no produto final. Sem a preocupação de limitar o trabalho realizado dentro de um único conceito, adiante será levantado relações artísticas híbridas que permeiam o trabalho.
Para chegar ao conceito de vídeoarte antes investiguei as questões mais gerais do cinema. Considerei relevante para o trabalho algumas identificações de Jean-Claude Bernardet, em O que é cinema?, quando observa o período inicial do cinema, em que a câmera era fixa e registrava o que acontecia. O filme era uma sucessão de “quadros”, entrecortados por letreiros que apresentavam diálogos  e davam outras informações (...). A relação entre a tela e o espectador era a mesma no teatro. A câmera filmava uma cena como se ela estivesse ocupando uma poltrona na plateia de um teatro. (1985, 32).
Contudo, o processo realizado no meu trabalho foi um pouco diferente, não trabalhei com câmera parada, e sim na tentativa de diversas imagens. Observo um diálogo com o trabalho no sentido que existem imagens coletadas na rua do que acontecia naquele momento , estas foram organizadas em quadros juntamente com outros materiais levantados.
No momento de captação e análise de vídeo me deparei com o que Noel Burch menciona na Práxis do Cinema, que a câmera não é seletiva, a seletividade vem do olhar humano (2008, p.117). E vivenciei essa experiência, como relatarei adiante, que as imagens captadas não correspondiam as minhas expectativas por serem diferentes do que o meu olhar havia identificado. Para melhorar essa questão retomei a edição na busca de organizar o material coletado para demonstrar o que era discutido.
Outro meio cinematográfico utilizado foi a edição. Segundo a organização das imagens, das sequências e fluxos que procurei esclarecer qual era o discurso. Como base para discussões sobre trabalho com vídeo, investiguei posteriormente os conceitos de videoarte.
O livro Made in Brasil, três décadas do vídeo brasileiro, com organização de Arlindo Machado, aborda diversas perspectivas da videoarte.  No artigo de Machado, “As linhas de força do vídeo brasileiro”, apresenta como inicialmente  a videoarte é mais explorada por artistas plástico que buscavam outros meios para mostrarem seu trabalhos. Adiante o autor explora a relação entre a câmera e o corpo do artista que se relaciona com o processo realizado. Ele identifica que os primeiros vídeos eram também registros de atos performáticos dos artistas.(p. 21). Percebo como nesse aspecto o trabalho se aproxima do videoarte pela inclusão de partes da filmagem de uma performance realizada – cozinhar o livro.
Sobre a relação do vídeo com a performance Carolina Amaral de Aguiar em seu texto “VIDEOARTE NO MAC-USP o suporte de ideias nos anos 1970”, no capítulo “O corpo é o motor da obra”: vídeo e performance, ela destaca que devido ao momento histórico e as limitações edição dos materiais contribuíram para os vídeos de performance. Discute-se a relação de conflito que existe ao considerar o caráter efêmero da performance, porém adiante conclui que a relação do vídeo com a performance ia além do simples registro. Era a busca por se expressar com novos meios tecnológicos.
Refletindo um pouco mais sobre o conceito de performance destaco o conceito de Patrice Pavis:
performance ou performance art, expressão que poderia ser traduzida por “teatro das artes visuais”, surgiu nos anos sessenta (não é fácil distingui-la do happening*, e é influenciada pela sobras do compositor John CAGE, do coreógrafo Merce CUNNINGHAM, do videomaker Name JUNE PARK, do escultor Allan KAPROW). Ela chega a maturidade somente nos anos oitenta. (aspas, asterisco, itálico, e maiúsculas do autor.2008 : 284).

            O autor também define que a performance “associa, sem preconceber idéias, artes visuais, teatro, dança, música, vídeo  poesia e cinema.”( 2008 : 284). Novamente o conceito utilizado remete ao termo a associação de diferentes áreas artísticas que percorro no trabalho.
            No livro Performance Studies, An introduction, de Richard Schechner, no Segundo capítulo ele tenta definir  o que é performance. Dentre suas argumentações ele cita Erving Goffman, e Marvin Carlson.  O primeiro, entre outros pontos a sua definição de performance,  resumidamente é qualquer atividade de um participante em uma ocasião determinada, que de alguma forma influencias os outros presentes. Se um participante e sua performance tornam-se referência, os demais que contribuem  são o público, observadores ou co-participantes.
Dentre a abordagem de Carlson ele observa que o termo “performance” ao longo do tempo tem se tornado popular nas áreas de artes,  literatura e ciências sociais. Assim, existem escritores de todas as áreas procurando entender que tipo de atividade é essa. Ele ressalta que considerar “performance” como um conceito contestável é importante para compreendermos que é inútil buscar algum campo semântico que abrange simultaneamente  o uso do termo performance relacionado ao ator, ao aluno, ao automóvel.
A partir dessas considerações, o performer surgiu no trabalho devido à cena que foi registrada de uma ação artística e poética.
Adiante no desenvolvimento do projeto senti necessidade de alguma materialidade presente juntamente como o vídeo, proporcionando uma ambientação. Seria uma também uma aproximação as videoinstalações.
Marcelo R. Gobatto, em sua tese: “Entre Cinema e Videoarte: procedimentos disjuntivos de montagem e narrativas sensórias”,  aborda a videoinstalação por um panorama próximo do que o trabalho realiza. Entre outras reflexões sobre seu trabalho identifiquei o seguinte ponto de convergência entre nossos trabalhos:

O que é intensificado na videoinstalação, através da criação de um outro tempo-espaço a que a experiência é submetida, um outro dispositivo difere da forma cinema convencional (...) na medida que solicita uma outra participação do espectador, não apenas uma participação psicológica.(Gobatto, 2009. P. 189).

Logo, como almejei que o videoarte produzido não fosse apenas apresentado, ou reproduzido, mas foi criado um ambiente de espaço e tempo distinto em que o espectador poderia interagir, seja bebendo o vinho ou lendo os papeis colocados no espaço, caracteriza-se por aproximar do que seria a videoinstalação. Por estimular a participação do público.
O próprio conceito de instalação em si está relacionado a esse aspecto de co-participação do público, como também está associado a performance. Ressalto, este modo, mais um ponto de convergência entre o projeto artístico realizado e o contato com a instalação e a performance.
A tese de Ana Maria Albani de Carvalho “Instalação como problemática artística contemporânea: os modos de espacialização e especificidades do sítio” foi de grande auxílio para esse estudo com muitos esclarecimentos a respeito dos significados e características de uma instalação. 
Em sua pesquisa ela também relata dificuldades de realizar estudos sobre a questão da denominação e o emprego do termo instalação. Ela aborda como ainda são escassos os estudos sobre o terminologia e como a complexidade de alguns “aspectos característicos das instalações dificultam o emprego dos métodos usuais de pesquisa em história e crítica da arte” principalmente ao que se refere ao registro da obra em fotografias.
Carvalho defende que em sua tese não delimita o que “é uma instalação, mas  o que se configura (em uma situação delimitada no tempo e espaço) como tal” (itálico do autor. 2005: 22).  Essa afirmação refere-se as suas analises onde as instalações são compostas por elementos difíceis de serem classificados e são diversificados. Além da possibilidade de desmontagem e remontagem em locais diferentes, sendo que nesse intervalo das apresentações não é possível apreciar a instalação.
A pesquisadora também aborda “a imersão do espectador em um ambiente” o que ela diz que algumas instalações “promovem simulações em que experimentamos a dimensão espacial e temporal em uma situação dada isto é a obra” (2005; 52).
Na minha concepção pessoal, carregada da vivencia que foi a produção do trabalho, o produto final ainda que tenha o vídeo como principal suporte da sua realização, permeia pela videoarte, videoinstalação, performance, não se limitando unicamente a nenhum desses aspecto.
Ressalto consequentemente que o propósito da interdisciplinaridade entre as áreas artísticas foi obtido. Uma vez que a obra só pode existir pelas associações realizadas entre esses aspectos.



















Discussão da realização e produção


            Após os primeiros contato com o material textual, já foram levantadas duas hipóteses de produtos finais. A primeira era trabalhar com uma cena inspiradas nos princípios da oralidade. Teria como base uma performance baseada no “O Banquete” de Platão.
A cena exploraria a relação com o universo da oralidade e dos contadores de história. O personagem será desenvolvido a partir de estudos e investigações sobre performances e apresentações que tenham essas personagens. Como por exemplo “Café com queijo” do grupo Lume e  com a pesquisa de Cecília Borges.
 Seria um ator em cena. Ele iria contar resumidamente a história do texto “O Banquete” de Platão. O ator performer estaria constantemente em interação com a plateia. Explorando também a sedução do público por meio da comida. A pretensão ao utilizar um ator contanto a história seria relacionar com o aspecto do texto de Platão que é escrito em forma de diálogo, mas com uma perspectiva monológica. Contudo, essa primeira proposta não seria muito adequada ao que se pretendia da disciplina, de afastar da oralidade.
O trabalho então se encaminhou por outro percurso. Pela investigação da relação da comida com o amor por registros audiovisuais. O mote inicial era realizar pequenos vídeos de jantares românticos. Contudo, dentro da proposta deste trabalho encontra-se as limitações de domínio de equipamentos no campo audiovisual por esta pesquisadora. Assim, essa questões também correspondia a um dos estímulos da disciplina de investigar meios artísticos além da zona de conforto.
Então determinei as etapas que seriam seguidas nesse processo.
Cronograma inicial de planejamento:

Mês
Atividade
Setembro
·      Estudos do texto: O Banquete, de Platão.
·      Levantamento de bibliografia e estudos sobre o autor e a obra citados acima.
·      Levantamento de bibliografia sobre audiovisual.
·      Aprimorar domínio de materiais de captação e edição de vídeo.
Outubro
·      Coletar material de vídeo terças e quintas.
·      Analisar as imagens quartas e sextas.
·      Assistir filmes que inspirem.
·      Investigar trilha sonora.
Novembro
·      Edição de vídeo, imagens e áudio.
Dezembro
·      Ensaio com a turma da disciplina.
·      Apresentação.

Simultâneo aos estudos textuais, realizei um levantamento entre possíveis equipamentos que poderiam ser utilizados para o registros dos vídeos. Como a intenção era cenas espontâneas, captadas sem que a filmagem fosse notada, os possíveis equipamentos elencados foram: celulares com filmadoras, maquinas fotográficas que realizam filmagens e vídeos e mesmo filmadoras discretas.
Como base para o trabalho vídeo busquei me familiarizar com programas de edição de vídeo a áudio. Compartilhando com a turma minhas limitações em relação ao domínio nessa área, fui indicada a utilizar o Windowns Movie Maker. Para aprimorar meu conhecimento sobre o programa investiguei na internet como ele funciona e segui pelo método de experimentação com outros materiais de vídeo que eu possuía. Com o tempo a prática em relação ao programa foi aumentando.
Ao  final do primeiro mês me preparei para a atividade de coletar o material. Para isso foram selecionados inicialmente três locais de Brasília: O Beirute, Tio Gu café e Creperia e Sabor Brasil.
Primeiramente investiguei um local tradicional de Brasília. Escolhi o Bar Beirute como primeiro lugar para coletar as imagens. Bar tradicional da cidade, eleito o melhor boteco da cidade pela revista Veja, Edição Especial Brasília, Comer e Beber 2011. Não foi possível seguir exatamente o planejamento de outubro. Após a primeira experiência de coleta de vídeo, notei que terça-feira não era o dia mais indicado para conseguir encontrar casais em clima romântico jantando. Pelas imagens percebi que o mais comum eram grupos de amigos ou colegas de trabalho confraternizando. Assim, as primeiras imagens coletadas não foram muito satisfatórios para os objetivos almejados. Retornei ao bar nos dias  sete e oito de outubro, de 2011. Respectivamente uma sexta-feira e um sábado e então consegui captar algumas imagens interessantes.
No domingo durante a análise das imagens me decepcionei novamente. A qualidade do vídeo estava muito baixa. Era complicado acompanhar o que estava acontecendo, e um dos momentos que eu havia considerado interessante no vídeo era pouco perceptível. Correspondia a passagem que eu chamava de “Florista”, quando um vendedor de rosas oferece um rosa vermelha ao casal que eu estava filmando. A imagem ficou com muita interferência e no vídeo não teve o impacto que eu almejava. Assim, antes de segui para o próximo momento de captação de vídeo procurei refletir  mais sobre como seria esse trabalho. Essas minhas dificuldades foram levantadas também durante as aulas. Com o auxilio das orientações do colegas dos professores, compreendi que o trabalho maior para mostrar no trabalho final as cenas sob a minha perspectiva seria a partir do que fosse construído na edição das imagens.
O Segundo local selecionado foi a O Tio Gu Café Creperia – Brasília. Franquia  vinda de Itacaré, também está entre as Creperias selecionadas pela revista Veja. Ambiente que tenta criar um clima praiano. Este local cria um contra ponto com o anterior, considerando que é novo na cidade e o clima que propõe distancia um pouco do mais tradicional em Brasília. Este local também é recomendado no site que é guia oficial de Brasília. No início do ano também ficou entre os locais mais apreciados pelos frequentadores do evento Restaurant Week  segundo o Blog: http://devorandobrasilia.com/tio-gu-cafe/.
Os registros de imagens foram realizado nos dias dezenove a vinte de outubro de 2011, respectivamente uma quarta-feira e quinta-feira. No primeiro dia as imagens sempre são piores. No segundo dia, mais familiarizada com o ambiente é possível escolher melhor o foco de filmagem. O momento de análise das imagens ainda ocorre nos finais de semana. Contínuo decepcionada com os resultados obtidos.
Contendo a insatisfação segui para o terceiro local selecionado para coletar a imagens. O meu destino foi o  bar Talher Brasil. O estabelecimento não é tradicional como o Beirute, mas também não é novo como Creperia. Considerei esse local por ser um ambiente familiar, e almejava encontrar casais em momentos mais longos dos relacionamentos. No primeiro dia, vinte e sei de outubro de 2011, foi interessante observar o jogo de planos que era possível realizar neste ambiente.  Por ser um local fechado mas amplo podia-se captar mais de um casal por vez. No segundo dia, consegui realizar a filmagem de dois casais, um mais jovem, apaixonados e empolgados, e um mais estabilizado. Foi interessante possuir essas imagens em contra ponto.
Mesmo tento atingido um melhor nível nas imagens, ainda não me satisfazia. Paralelamente estive em contate pesquisa de imagens na internet que pudessem representar as diversas formas de amor e afetividade. Imagens de estúdios de casais. Também investiguei imagens que exploravam uma relação com a comida. Nesta segunda pesquisa me chamou muito a atenção as imagens do fotógrafo Ted Sabarese, em que os modelos utilizavam roupas de comidas, elaboradas por Sung Yeonju. Também me impressionou as imagens da modelo Crystal Renn, no editorial da revista Vogue Paris, pelo fotógrafos Terry Richardson e Carine Roitfeld.
Durante as discussões nas aulas, para ampliar meu contato com modelos de filmes que possuíssem fluxo de imagens, foi recomendado assistir Inicialmente tenho imaginado um documentário com fluxo de imagens que serão coletados em bares de Brasília. As imagens almejadas buscam casais que estejam em jantares românticos onde se pode observá-los em conquista e ao mesmo tempo que comem.
Em diálogo com os professore se com a turma surgiu a indicação para inspiração de vídeos documentário com fluxo de imagens. Assim, seguindo as orientações assisti: Koyaanisqatsi - Uma Vida Fora de Equilíbrio e Powaqqatsi - A Vida em Transformação. E foi magnífico. Um banquete de imagens e ideias d e possíveis organizações entre as imagens coletadas e as selecionadas na internet.
Já durante o mês de novembro realizei algumas possíveis edições dos materiais. Nesses experimentos nas aulas foi identificado um corte e rupturas muito bruscas entre as fotos e o material de vídeo registrado. Ainda foi refletido sobre em que o projeto artístico seria apresentado. Inicialmente existia a ideia de uma gaiola, que permitisse a entrada do público ou sua relação de voyeur sobre o que estava sendo apresentado. A estrutura da gaiola não estava disponível para ser utilizada. Assim, a ideia modificou-se para um ambiente apertado, fechado com taças de vinho e o livro “O Banquete” despedaçado pelo local. Porém, na apresentação para a turma, esse ambiente não foi muito apreciado, por quebrar a ideia do voyeur. Assim, na apresentação final ficou uma bancada com o vídeo, as taças de vinho e um voal, tecido fino e semitransparente, que permitia ao público assistir o filme através dele, ou adentrar o ambiente. 
Também foi questionado sobre a necessidade de uma quebra social. Todas as imagens registradas eram em locais de classe média alta. Seguinte este estímulo realizei mais uma coleta de vídeo. O local selecionado foi a Rodoviária de Brasília. Local dentro da cidade, localizada no ponto central da capital do país e reúne o tráfego de pessoas de diferentes classes sociais.
Mantendo o foco sobre a investigação de restaurantes e casais, fui para um restaurante localizado na Rodoviária. Diferente dos outros locais, investiguei realizar a filmagem por diferentes ângulos e perspectivas de profundidade.
Ainda como todo esse material coletado, sentia a necessidade produzir algumas cenas. Desse modo surgiu o estímulo para desenvolver uma performance em que seria explicitado a minha relação pessoal com a obra “O Banquete”, é o ponto base desse projeto artístico. Seguindo por este impulso, elaborei um roteiro simples: cozinhar o livro e comê-lo. Para explicitar as ânsias levantadas durante o processo e descritas anteriormente. A filmagem seguida gerou um material de 15 minutos de cena. Para adequar esse material aos outros vídeos e imagens, foram realizados cortes, que geraram 18 cenas, de durações variáveis. Mais uma vez, esse material foi elaborado e editado. O contato com a turma também proporcionou outras reflexões sobre esse momento de utilização de imagens produzidas e as coletadas. Infinitos rodeiros e edições foram elaborados e experimentados até a obra final.
No momento de edição também ficou evidente como o pouco domínio sobre os equipamentos audiovisuais e de edição influenciaram o produto final. Vários recursos e intervenções foram pensados porém não puderam ser realizados.
Também compreendi tardiamente, de modo mais amplo as orientações sobre a necessidade de investigar a relação com outras classes. Teria sido interessante ressaltar o outro lado da relação com a comida, destacando os opostos entre as classes altas e a fome a miséria. Esse aspecto tentei remediar utilizando imagens da internet que possuía das minhas pesquisas da relação com o alimento. Contudo, não houve tempo hábil para coletar imagens que retratassem essa perspectiva.
A questão sonora também foi defasada. Inicialmente a ideia era trabalhar com os sons ambientes. Novamente seria necessário domínio de técnicas que alterassem e manipulassem o som. Como nessa área meus conhecimentos não permitiram trabalhar com o som ambiente. Outra falha foi perceber essa questão com pouca antecedência para a apresentação. Logo a trilha sonora selecionada foram duas músicas de Naná de Vasconcelos: “Corpos de luz” e “Olho no olho”. Com os poucos conhecimentos sobre edição de áudio apenas uni as duas músicas de forma alteradas para que preenchessem o filme. A escolha não foi de todo aleatória. As percussões do artista permitiam chamar atenção para o vídeo e para o espaços em que ele se encontrava. Além de possuírem um ritmo forte que compôs muito bem com o que possuía de visual na obra. Entre muitas limitações e dificuldades o trabalho final foi realizado a apresentado.
Conclusão


A realização completa desse trabalho, desde as primeiras concepções até a materialização final do produto, proporcionou-me uma enorme contribuição para minha formação no âmbito artístico e pessoal.
As primeiras inspirações começaram abstratas, e somente durante a prática da captação e edição das imagens que pude perceber quais seriam os verdadeiros limites e possibilidades dessa realização artística. Isso proporcionou um exercício constante entre a percepção do que seria viável e a capacidade de rápida adequação aos novos pressuposto. Foi um exercício valioso para a reflexão sobre as inúmeras mudanças que se operaram da passagem entre a concepção mental e a realização prática, que me proporcionaram uma maior compreensão geral do fazer artístico.
Todo o material levantado e organizado pretendiam estimular as pessoas em reflexões gerais. A relação com o texto de Platão existia permeando todo o trabalho. Entretanto a proposta não era reforçar e enfatizar esse aspecto. Era visível, não exaltado.
A necessidade de materializar as propostas elaboradas favoreceu para a percepção do limiar entre planejamentos e a realidade do trabalho artístico. Foi complicado desfazer de idéias que pareciam tão esplendidas na imaginação e quando se concretizavam estavam aquém do esperado, como ocorreu inúmeras vezes com as imagens coletadas.
             Apreciei a relação estabelecida entre a teoria e prática. Todos os materiais teóricos foram fundamentais para o embasamento do produto final. 
            Observo que os maiores problemas estiveram relacionado com o desafio de dominar o audiovisual em todos os seus processos. Muitas soluções concebidas necessitam ser reduzidas ou simplificadas para serem realizadas dentro do meu domínio de edição de manipulação dos sons e imagens.
Todavia, sinto-me satisfeita com os resultados alcançados, afinal ainda que não tenha atingido os melhores níveis de qualidade estética, foi um desafio superado. Estive presente e realizei em todas as etapas de criação e realização.
Todas as situações de adversidades foram solucionadas, mesmo que isso tenha levado a uma redução no padrão estético da obra, não se tornaram impedimentos para a execução da obra.  Muitas das soluções encontradas partiram das discussões em sala de aula e do auxílio de colegas que possuíam maior domínio do audiovisual.
Como um produto final vejo várias questões de aprimoramento técnico e estético que precisam ser mais trabalhadas, e que tem plenas chances de se realizarem numa produção com maior prazo de execução, uma equipe profissional, bem qualificada, que ajude nessas questões e um apoio financeiro adequado as demandas.
            A obra agora encontra-se em momento de reestruturação. Será levantadas as possibilidades de reorganizá-la considerando as questões apresentadas acima para seu aperfeiçoamento. Considerando a possibilidade de outras exibições do trabalho em diferentes locais de Brasília para que amplie o público que possa ter contato com a obra, como também a minha experiência em gerenciar um projeto nesse nível.





































Fonte de pesquisa:

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